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Precisamos falar sobre suicídio! E sobre a empatia que nos falta…

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Desde o início da graduação em Jornalismo, uma das primeiras coisas que os estudantes aprendem é a pertinência e a forma de se noticiar ocorrências que envolvem o suicídio. Recentemente, aqui no Vale, acompanhou-se o caso de três mulheres que tentaram o suicídio. Duas delas faleceram. A forma como a mídia regional tem tratado o tema é controversa, em especial para uma região que apresenta alta taxa de suicídios no País (o RS tem quase o dobro da média nacional).

Nos meios de comunicação da região e também fora dele, os fatos recentes foram amplamente divulgados – incluindo especulações acerca das motivações pessoais que haviam incentivado os atos. Alguns veículos, seguindo uma premissa ética diferente, calaram-se diante do fato.

Este tipo de conteúdo costuma ir bem em desempenho e métricas comunicacionais. Por qual motivo? Quem acompanha de perto pode ver as reações, alcance, comentários e compartilhamentos de notícias que envolvem acidentes, assaltos, mortes e, suicídios e como elas são muito maiores do as de outros tópicos. Suicídio interessa às pessoas. Só que de um jeito errado. E porque interessa não pode, jamais, ser noticiado de maneira leviana.

Falta empatia?
Os meios de comunicação que noticiaram o fato sem freio, sem aprofundar o assunto e sem pensar que um ato como esse, levando em conta a ampla divulgação, podem encorajar outra pessoa a fazer o mesmo. Este é o tipo de pauta que exige muita atenção na abordagem. Tanto, que existem cartilhas orientando profissionais da mídia sobre como trabalhar nestes casos, a exemplo da Organização Mundial de Saúde, que divulga (desde 2000) a cartilha “Prevenção do suicídio: um manual para profissionais da mídia”, e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Na cobertura de casos como os de suicídio existem, sempre, diversos envolvidos. O repórter, que com frequência cobre mortes trágicas e que assim como um médico, um socorrista ou um enfermeiro, deve se posicionar de forma não deixar que o fato o abale. Além disso, é pressionado pelo pouco tempo de produção da notícia, que muitas vezes o impede de aprofundar o assunto. Nas redes sociais, o cenário complica ainda mais, pois ganha quem dá o furo e publica a notícia primeiro – mesmo que de forma equivocada.

Existe a família da vítima também. Vítima sim, porque na maioria dos casos, a depressão é um dos gatilhos dos atos suicidas. E falta amparo, tratamento, divulgação e conscientização – porque a doença pode ser silenciosa. Sim, é doença. Ninguém pula da ponte por “modinha”.

Do outro lado do computador e do celular, está o João, ou a Maria, ou a Ana, lendo as notícias divulgadas e os fatos “especulados” que levaram outro indivíduo ao extremo.

Opinião profissional
“Sempre que recebemos notícias deste tipo a mídia dá grande visibilidade e vira sensacionalismo. Tanto a mídia quanto as pessoas buscam o porquê daquilo. Normalmente os porquês encontrados são muito superficiais, as gotas d’água que fizeram as pessoas cometerem suicídio e talvez não o motivo real, que vai muito além do fato especulado. Acontecem especulações, achismos e comentários sobre coisas que foram ouvidas ‘por aí’. Isso se transmite”, comenta a psicológica Graziela Gerevini, que argumenta que é necessário desenvolver a empatia pelo outro.

Para ela, quando a pauta é suicídio a mídia não deve se ater a casos específicos ou especular sobre suas motivações. Mas sim, sobre o porquê de as pessoas estarem recorrendo ou suicídio ao contrário de buscarem ajuda.

“Não olhamos de verdade para o outro, não o ouvimos e banalizamos sua dor. Afinal de contas, nesse mundo de felicidade “postada” não há espaço para a dor e para a tristeza. Se não podemos senti-la, também não permitimos que o outro a sinta. Precisamos fazer espaço e falar sobre o assunto. Precisamos acolher o sofrimento do outro”, diz.

Graziela defende que o mundo precisa de mais amor, acolhimento, empatia, olho no olho, ouvidos abertos e menos julgamento. “Precisamos compreender que, embora o sofrimento pareça pequeno para mim, para o outro ele é significativo. Suicídio é papo sério e requer a intervenção de profissionais capacitados. Busque ajuda, ofereça ajuda”.

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